Refluxo gastroesofágico: o que devo comer? Quais as medidas que devo tomar para evitar o refluxo?

O aparelho digestivo tem como função principal a absorção dos alimentos, transformando-os em energia necessária para o bom funcionamento do corpo humano. Para que isso seja possível é fundamental que os alimentos sejam quebrados em pequenas partículas para serem absorvidos. A digestão se inicia na boca, com a ação da saliva sobre os alimentos. Depois os alimentos passam pelo esôfago e chegam ao estômago, onde permanecem por um período de 3 a 4 horas. Durante este tempo, eles sofrem a ação do ácido clorídrico e das enzimas estomacais, permitindo que pequenas quantidades do conteúdo gástrico entrem no intestino, de cada vez.

O refluxo gastroesofágico (DRGE) é um problema que se caracteriza pelo retorno do conteúdo ácido gástrico para o esôfago. Portanto, ocorre um defeito nos mecanismos de contenção (válvula antirefluxo). Normalmente, estes mecanismos permitem o livre trânsito dos alimentos ingeridos do esôfago para o estômago, mas impedem o retorno do ácido presente no estômago de volta para esôfago.

Diferentemente do estômago, que suporta naturalmente o ácido no seu interior, o esôfago não está preparado para aguentar o ácido refluído do estômago, levando ao que chamamos de esofagite de refluxo (queimadura do esôfago causada pelo ácido) . Como isso não é natural, o indivíduo com refluxo pode apresentar sintomas como dor torácica (retroesternal) e azia (sensação de queimação). Em casos mais graves o ácido e os alimentos refluídos podem chegar até à boca, ao nariz e aos pulmões, podendo causar sintomas de engasgos, sensação de sufocamento, pneumonias, sinusites, faringites, laringites, otites e até ao desgaste dos esmalte dos dentes. Atualmente, o refluxo ácido crônico repetido e a consequente esofagite de refluxo são as principais causas do câncer de esôfago.

Alguns alimentos podem agravar ainda mais essa condição e outros podem melhorar o processo digestivo, evitando o refluxo. Associada ao tratamento medicamentoso, a orientação dietética é parte essencial do tratamento da doença do refluxo gastro-esofgeano e possibilita a melhora do conforto e da qualidade de vida dos pacientes. Pensando nisso, preparamos este artigo. Continue lendo e descubra quais são os alimentos que você deveria evitar em sua dieta e quais são aqueles que podem compor um cardápio mais saudável em casos de refluxo.

Alimentos que você deveria evitar

Existe uma relação muito estreita entre os alimentos e as crises de refluxo gastroesofágico. Isso significa que alguns grupos alimentares estimulam o refluxo e agravam os sintomas do problema, assim, é interessante evitar o seu consumo.
O leite, por exemplo, pode causar desconfortos em alguns indivíduos provocando, também, inchaço ou distensão. Então, observe se esse é o seu caso e procure reduzir a ingestão dele. Além disso, quando é integral, as gorduras presentes nesse alimento podem estimular o refluxo.

É o mesmo que acontece com outros alimentos gordurosos, porque os sintomas do refluxo costumam ser mais frequentes em pessoas cuja dieta é rica em gorduras e ácidos graxos saturados, uma vez que a digestão deles é mais difícil e demorada, demandando a produção de maior volume de ácidos. O ganho de peso por si só e a obesidade são as principais causas de desencadeamento do refluxo gastro-esofágico. O volume exacerbado de tecido gorduroso intra-abdominal impede o estômago de aumentar sua capacidade, forçando o refluxo do ácido presente no seu interior de volta para o esôfago, principalmente após a ingestão de uma refeição volumosa.

Portanto, os principais grupos alimentares que você deve reduzir o consumo para não piorar os sintomas do refluxo incluem:

  • carnes gordas;
  • alimentos gordurosos ou oleaginosos;
  • gorduras saturadas.

Não podemos esquecer de que existem alguns alimentos de forma isolada que também costumam desencadear as crises de refluxo gastroesofágico. Por isso, é recomendado evitar o seu consumo. Esse é o caso de:

  • bebidas gaseificadas;
  • bebidas alcoólicas e sucos muito ácidos;
  • bebidas e alimentos que contenham cafeína (cafezinhos, mesmo diluídos com leite; termogênicos, bebidas estimulantes, etc);
  • chocolate;
  • hortelã;
  • Massas
  • alimentos ácidos, como molho de tomate.

Também, recomendamos evitar ingerir líquidos antes, durante e após as refeições. A ingestão de refeições muito volumosas (churrascos, macarronadas, pizzas, feijoadas, refeições copiosas em restaurantes por quilo), além de contribuir para a repleção da câmara gástrica, estimulam proporcionalmente a produção do ácido pelo estômago, facilitando o refluxo para o esôfago.

É válido lembrar que isso varia muito de pessoa para pessoa. Assim, alguns pacientes podem apresentar sintomas do refluxo fazendo a ingestão de determinados alimentos, enquanto os mesmos não provocam qualquer desconforto para outros. Por isso, o ideal é que você analise as suas próprias condições.

Alimentos que você pode ingerir

Enquanto existem alguns alimentos que agravam o refluxo gastroesofágico, há aqueles que podem ser ingeridos com tranquilidade, porque não provocam sintomas e até mesmo ajudam a aliviar os desconfortos.

Isso acontece em função de serem de fácil digestão, ou por causa da sua composição, rica em nutrientes e substâncias que trazem benefícios, causando uma sensação maior de bem-estar após o seu consumo. Esse é o caso, por exemplo:

  • dos carboidratos complexos encontrados em grãos integrais, batatas, vegetais e frutas;
  • dos alimentos com pouca acidez, como os legumes;
  • das proteínas magras com baixo teor de colesterol, provenientes de peixes como truta e salmão, carne branca,
  • leguminosas como feijão e lentilha e amêndoas;
  • frutas fibrosas e ricas em magnésio e potássio, como abacate, pêssego, banana, melão, maçã e pera;
  • vegetais de cor verde escura, como couve, brócolis, espinafre, couve de Bruxelas e aspargo.

Mais uma vez apontamos que as recomendações para evitar alguns alimentos bem como as dicas daqueles que não desencadeiam crises de refluxo não são uma regra a ser seguida. Afinal, esse problema varia de acordo com o organismo de cada indivíduo, então, é válido que você converse com seu médico para definir a melhor dieta em seu caso.

Medidas comportamentais que devo seguir para evitar o refluxo

Procure praticar um esporte. A prática da atividade física regular contribui para a queima de calorias e consequentemente para a perda de peso. Lembramos que a obesidade é um dos principais fatores desencadeantes da doença do refluxo.
Evite praticar atividades musculares abdominais após a alimentação, pois este tipo de exercício aumenta a pressão abdominal e facilita o refluxo.

Nunca deite após as refeições, principalmente após ingestão de refeições copiosas e acompanhadas de bebidas alcoólicas. Espere pelo menos duas horas para dormir após o jantar. A quantidade de ácido produzida pelo estômago atinge o pico mais elevado a cerca de uma hora após a alimentação e a adoção da posição supina (deitada) facilita o refluxo do ácido para o esôfago.

Procure sempre deitar com a cabeceira da cama elevada em cerca de doze centímetros. A ação da gravidade força o ácido a retornar, ou a se manter no estômago. Esta ação também poderá ser obtida pelo uso de travesseiros anti-refluxos apropriados e à venda nas lojas de materiais médicos.

DR. MARCELO LINHARES

CRM 112046

Sou Marcelo Linhares, graduado em Medicina pela Universidade Federal do Ceará, em 1989.

No ano de 1998, fiz mestrado em Medicina (Gastroenterologia Cirúrgica) pela Universidade Federal de São Paulo, com aperfeiçoamento em Cirurgia  Hepatobiliar, na Université Paris-Sud XI no Centre Hépato-Biliaire do Hôpital Paul Brousse, Paris-FRA, em 2000.

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