Hiperferritinemia: descubra quais são as causas

A imagem mostra uma pessoa apertando a barriga com uma das mãos.

A hiperferritinemia é uma condição do organismo na qual há um aumento da ferritina, proteína que interage com o ferro no organismo. Suas causas são muito variadas, podendo envolver a genética, doenças hepáticas e o consumo excessivo de bebidas alcoólicas.

O ferro é um mineral muito importante para o equilíbrio da saúde, sendo que as taxas adequadas dele evitam os quadros de anemia; mas o seu excesso também pode trazer problemas. Uma das causas para que seus níveis se elevem é a hiperferritinemia.

Porém, essa é apenas uma das complicações decorrentes dessa condição, afinal, a hiperferritinemia pode desencadear problemas relacionados diretamente ao fígado ou ao organismo de um modo geral. Por isso, é importante ficar atento aos níveis desse marcador bioquímico.

Neste artigo explicaremos o que você precisa saber sobre a hiperferritinemia e a importância de manter os níveis de ferritina em equilíbrio. Continue lendo para aprender:

1- O que é hiperferritinemia?
2- Quais são as causas da hiperferritinemia?
3- É possível tratar a hiperferritinemia?

O que é hiperferritinemia?

O ferro que ingerimos não adere sozinho às células. Para que isso aconteça é necessário a ação da ferritina, uma proteína que se liga com os átomos do ferro e faz com que ele se armazene nos tecidos e órgãos.

Para que esse processo aconteça da forma adequada é preciso que haja um equilíbrio entre os níveis de ferritina e a quantidade de ferro no organismo. Desse modo, a absorção do mineral acontece na quantidade certa, evitando o seu excesso ou falta.

Porém, algumas pessoas apresentam altos níveis de ferritina, quadro que recebe o nome de hiperferritinemia. É importante entender que o nível elevado dessa proteína nem sempre significa que a quantidade de ferro no organismo está em excesso, mas é um sinal de alerta, pois pode desencadear esse problema.

A hiperferritinemia não provoca sintomas, no entanto, eles podem se manifestar por causa das doenças que desencadeia. Nesse caso, são específicas da condição que se manifestou. Podemos perceber a alta da ferritina nos exames de sangue quando as taxas ultrapassam os valores normais, sendo:

  • 30-300 ng/L para homens;
  • 15-200 ng/L para mulheres.

Quais são as causas da hiperferritinemia?

As causas da hiperferritinemia são muito variadas e podem ser classificadas em diferentes grupos. Um deles é a presença de inflamações ou infecções no organismo, que naturalmente levam a um aumento da ferritina. Por isso, dependendo das condições clínicas de uma pessoa, pode haver uma alta seguida de uma baixa assim que a saúde é equilibra. Uma das causas atuais muito frequentes de hiperferritinemia é a infecção grave pela Covid-19, que pode indicar a necessidade de tratamento específico e que traduz a presença de um intenso processo inflamatório no organismo. Portanto, com potencial de evolução para complicações fatais.

Doenças autoimunes e condições genéticas como a hemocromatose hereditária também podem estar relacionadas; assim como a ingestão inadequada de suplementos alimentícios ou a destruição de hemácias, causada por doenças como as anemias hemolíticas.

O consumo excessivo de bebidas alcoólicas é mais uma das causas da hiperferritinemia, o mesmo com a síndrome metabólica. Nesse caso, ela também pode ser uma das consequências do aumento da proteína, levando à resistência à insulina, gordura no fígado e outras complicações.

As taxas altas da proteína podem, ainda, se relacionar com:

  • doença renal avançada;
  • infarto agudo do miocárdio;
  • hipertireoidismo;
  • câncer;
  • hepatopatias;
  • leucemia;
  • hepatites.

É possível tratar a hiperferritinemia?

Conforme explicamos, em alguns casos a hiperferritinemia acontece como uma condição aguda, decorrente, por exemplo, de um quadro inflamatório ou infeccioso. Mas como também está associada a outros problemas, requer atenção e tratamento médico. A abordagem é personalizada para cada paciente dependendo daquilo que está provocando a alta da ferritina.

Podem ser administrados medicamentos e até mesmo suplementos vitamínicos para pacientes com hemocromatose hereditária. Além dos quelantes de ferro, que se ligam ao mineral para facilitar a sua eliminação, existe a opção da sangria, que é a remoção controlada e regular de volumes pré-estabelecidos de sangue (como se fosse uma doação de sangue). No entanto, a sangria é indicada somente em casos muito específicos em que ocorre o risco de lesões cerebrais, cirrose hepática e diabetes, pelo acúmulo excessivo de ferro no organismo.

Assim, somente o médico, com base nos exames e nas condições clínicas de cada pessoa, é que pode dizer qual é o melhor tratamento e se ele é necessário. Afinal, muitas vezes tratando a causa, os níveis de ferritina voltam a se equilibrar.

Existem casos em que não é possível evitar a hiperferritinemia, mas mantendo hábitos saudáveis, uma alimentação balanceada, evitando bebidas alcoólicas e controlando o peso corporal, reduzimos as chances de ela se manifestar. Se identificada, é fundamental seguir o tratamento recomendado para que não haja prejuízos maiores para o organismo.

DR. MARCELO LINHARES

CRM 112046

Sou Marcelo Linhares, graduado em Medicina pela Universidade Federal do Ceará, em 1989.

No ano de 1998, fiz mestrado em Medicina (Gastroenterologia Cirúrgica) pela Universidade Federal de São Paulo, com aperfeiçoamento em Cirurgia  Hepatobiliar, na Université Paris-Sud XI no Centre Hépato-Biliaire do Hôpital Paul Brousse, Paris-FRA, em 2000.

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