O que é a fibrose hepática e qual o tratamento?

A imagem mostra uma mulher com as mãos na região lateral da barriga, demonstrando desconforto.

A fibrose é o resultado da formação de tecidos cicatriciais no fígado. Quando ele sofre lesões constantes, produz células que cicatrizam as áreas agredidas, mas que não desempenham o mesmo papel das células hepáticas, por isso, prejudica o funcionamento do órgão.

O que é fibrose hepática?

O fígado é um órgão que tem a capacidade de se regenerar produzindo novas células para se recompor. Porém, isso não significa que ele esteja totalmente imune a agressões, uma vez que quando sofre lesões pode desenvolver a fibrose.

A fibrose hepática é o resultado de lesões e agressões sofridas pelo fígado de forma constante e por um período longo. Por causa da sua capacidade regenerativa esse órgão produz células para se recuperar, mas elas são diferentes das células hepáticas, formando um tipo de cicatriz.

O tecido fibroso substitui os tecidos lesionados. O problema é que ele não consegue cumprir as mesmas funções do tecido hepático, por isso, aos poucos o fígado deixa de funcionar como antes, trazendo prejuízos diversos para a saúde da pessoa.

Quais são as causas da fibrose?

A fibrose no fígado pode se manifestar por causa de diferentes fatores. Um deles é a esteatohepatite ou NASH (esteatohepatite não-alcoólica), problema popularmente conhecido como gordura no fígado. Nesse caso, há um acúmulo dela especificamente nesse órgão por causa, por exemplo, do sedentarismo ou da obesidade.

A presença de gordura no fígado pode levar à inflamação desse órgão e, gradualmente, leva a substituição de suas células saudáveis pelo tecido cicatrizal. Além da esteatose hepática, a fibrose pode ser desencadeada por doenças virais.

Os quadros de hepatites virais também podem provocar lesões que levam à formação de cicatrizes no fígado. Quando o vírus é combatido pelo nosso próprio sistema de defesa (sistema imune), pode levar à morte das células hepáticas e a formação de fibrose hepática e até a cirrose. Isso ocorre em consequência de um longo e crônico processo de necrose das células do fígado e o processo natural de regeneração hepática, levando à deposição crônica de fibrose no fígado. Um quadro que também é bastante diferente do que acontece quando a causa da fibrose é o consumo de bebida alcoólica.

Esse é um dos principais fatores que desencadeiam esse problema porque é o fígado é o órgão onde ocorre a maior parte do metabolismo de drogas e toxinas do nosso organismo. Sendo assim, o consumo de álcool, quando excessivo e prolongado, provoca agressões contínuas que levam a quadros graves de fibrose, podendo evoluir para outros problemas, como a hepatomegalia e a cirrose.

Por que a fibrose prejudica o fígado?

Como explicamos, a fibrose se forma porque o fígado tenta se recuperar das lesões que sofreu e cicatriza, produzindo células que não cumprem as funções hepáticas. É por isso que esse quadro prejudica a função desse órgão.

Quando falamos que a esteatohepatite, ou seja, a gordura no fígado associada à inflamação, prejudica esse órgão, na verdade estamos nos referindo justamente a essas agressões que ele sofre e que levam à formação do tecido fibroso.

No entanto, é muito importante entender que o problema não se resume a isso. Afinal, quando a fibrose se estende, ela pode levar à manifestação da cirrose, uma doença que, além da hepatomegalia, evolui para a insuficiência hepática, quadro que pode levar o indivíduo à morte.

Nos pacientes que desenvolvem a cirrose existe um risco aumentado de o quadro evoluir para o câncer de fígado. Sendo assim, mesmo um diagnóstico aparentemente simples de gordura no fígado precisa receber a atenção de um especialista, por causa da possibilidade de levar à cirrose e complicações ainda maiores.

Como a fibrose hepática é tratada?

É muito importante entender que a fibrose não é um tipo de doença hepática. Como você pôde ver nas explicações que deixamos até aqui, ela é o resultado de agressões, então, pode ser classificada como um sintoma ou uma condição.

Sendo assim, o tratamento da fibrose não é feito especificamente para esse problema, mas tem como foco a causa dele. O objetivo é evitar que o fígado continue sofrendo lesões para desacelerar a formação das cicatrizes e prevenir a perda das funções hepáticas.

Nos quadros virais, por exemplo, a abordagem é realizada com o intuito de oferecer ao organismo condições para combater esse vírus. Quando isso é feito de forma precoce, ainda no início da formação da fibrose, é possível o fígado se recuperar completamente.

Para aqueles que apresentam a esteatose hepática é feita a mudança de hábitos, para adotar uma alimentação mais saudável, controlar o peso corporal, baixar o colesterol e sair do sedentarismo. Essas medidas ajudam a reduzir a gordura no organismo de um modo geral.

Porém, quando a lesão já está muito extensa e a fibrose tomou proporções maiores podemos eliminar o fator de base e evitar a progressão dela, mas nem sempre é possível reverter o quadro. Se não houver prejuízo para o funcionamento do fígado, o monitoramento é suficiente para acompanhar a saúde do paciente.

Para pessoas com doenças hepáticas crônicas, o controle delas é fundamental para que o fígado não seja lesionado. No caso do uso de medicamentos que agridam o órgão, é importante fazer a substituição da fórmula.

Quando a fibrose está sendo desencadeada pelo consumo de álcool a abordagem envolve a mudança de hábitos, uma vez que, como explicamos, esse é um dos fatores principais das lesões no fígado. Inclusive, também a principal causa da cirrose.

Essas e outras abordagens são adotadas quando o quadro de fibrose é classificado como leve ou moderado, sem grandes perdas das funções hepáticas ou prejuízos para a saúde do indivíduo de um modo geral. Mas a abordagem é bem diferente quando se trata de uma fibrose mais avançada, com suspeita ou confirmação de cirrose.

Tratamento da fibrose grave

Como você viu, quando a fibrose já está em um estágio mais avançado, desencadeando hepatomegalia, cirrose e outros prejuízos para o fígado, o tratamento é diferente. O foco não é a fibrose em si, mas essas complicações clínicas que ela desencadeou.

A cirrose também é uma doença que não pode ser curada, por isso, é muito importante fazer o controle dela evitando que continue afetando as funções hepáticas. No caso dos pacientes que já estão em um estágio mais avançado desse problema, a única forma de cura possível é o transplante de fígado.

A abordagem para pacientes em estágio mais avançado também pode envolver a triagem para carcinoma hepatocelular, ou seja, câncer de fígado, e para varizes gastroesofágicas. Nesses casos também quando já foi confirmada a presença de cirrose decorrente da fibrose.

É válido ressaltar o que a fibrose hepática não costuma apresentar sintomas quando ainda está no início, mas é possível identificar alterações na função hepática por meio de exames. Então, é muito importante fazer o acompanhamento médico, em especial em quadros de risco de fibrose, e realizar o tratamento o quanto antes, para eliminar o fator causador.

DR. MARCELO LINHARES

CRM 112046

Sou Marcelo Linhares, graduado em Medicina pela Universidade Federal do Ceará, em 1989.

No ano de 1998, fiz mestrado em Medicina (Gastroenterologia Cirúrgica) pela Universidade Federal de São Paulo, com aperfeiçoamento em Cirurgia  Hepatobiliar, na Université Paris-Sud XI no Centre Hépato-Biliaire do Hôpital Paul Brousse, Paris-FRA, em 2000.

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